Como Praticar o Maythuna

Como Praticar o Maythuna

Maithuna, ou sexo ritual, é a parte final de uma longa cerimônia de cinco partes, conhecida como “cinco senhoras”, ou Pañca-makāra.

As fases preliminares envolvem ingerir madya (vinho), matsya (peixe), mamsa (carne) e mudra (grão ressecado).

Todas essas substâncias possuem propriedades afrodisíacas, e as três primeiras são geralmente proibidas aos hindus.

Como consequência, o Pañca-makāra é corriqueiramente mencionado como um exemplo das técnicas de choque tântrico: a necessidade de experimentar o maior êxtase possível por via dos meios mais baixos possíveis.

Tal avaliação é provavelmente uma racionalização relativamente moderna do comportamento, onde o objetivo original não passava de prazer (um objetivo tântrico legítimo).

Em meados dos séculos VIII e XI, peixe, vinho e carne (especialmente carne de porco) eram verdadeiros luxos.

O ritual das cinco senhoras pode perfeitamente ter feito parte do processo tântrico de reduzir as distinções entre as castas, mas igualmente pode ter simplesmente fornecido ao tântrico (praticante) experiências geralmente disponíveis somente para os nobres.

Ganja (cannabis) e datura também podem ser utilizados ​​como um prelúdio para maythuna, entretanto, somente para proporcionar um vislumbre tentador do êxtase, que só é capaz de ser alcançado por relações rituais focadas e devotas.

A Prática Oferece Riscos?

Os Tantras destacam os perigos do maythuna e declaram que o praticante precisa ser um herói (vira), livre de dúvidas, medo ou luxúria.

Um Tântrico especialmente heroico é capaz executar maythuna com até 108 mulheres em uma única noite, embora várias delas ele não faça mais que tocar.

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Maythuna é um ritual de transformação e, embora se espere proporcionar prazer, e através dessa felicidade transcendental, o prazer não pode ser do ego – quando o homem e a mulher se abraçam, eles o fazem não como eles mesmos, mas como homens e mulheres. divindades femininas.

Um texto, o Kaulavalinirnaya, descreve a Pañca-makāra como a “Eucaristia quíntupla” e declara que:

 “Todos os homens se tornam Shivas, as mulheres Devis [deusas], a carne do porco se torna Shiva, o vinho Shakti [a contraparte feminina de Shiva].”

Maythuna normalmente é praticado em um círculo de iniciados, sob instrução por um guru.

Pode incluir meditação, posturas de yoga, a recitação de mantras (sílabas sagradas), a visualização de yantras (diagramas de linhas e cores que simbolizam o cosmos) e a invocação de toda uma série de divindades ou devatas (criadas pelo acoplamento de Shiva e Shakti).

Idealmente, os parceiros precisam permanecer imóveis e o homem não pode descarregar seu sêmen.

Se, por acidente, o faz, este é marcado na testa na região do “terceiro olho”, o que lhe dá a chance reabsorver pelo menos parte de sua potência. O momento do orgasmo é, em teoria, sufocado por uma onda de êxtase extremamente longa, que não inclui ejaculação.

A mulher, ao contrário, é permitida experimentar um orgasmo convencional e até é incentivada a fazê-lo, pois crer-se que libere os rajas, a secreção vaginal proporcionada pela excitação sexual.

Em várias escolas tântricas, a produção dos rajas chega a ser o principal objetivo do maythuna: ele é coletado em uma folha e adicionado a uma tigela de água.

Em seguida é ritualmente oferecido à divindade e bebido pelo homem.

Mesmo que o rajas não seja coletado fora do corpo, considera-se que um verdadeiro adepto sabe como absorvê-lo por meio do pênis, uma técnica conhecida como vajroli-mudra, que enriquece seu próprio sistema hormonal. No entanto, a principal troca entre os parceiros em grande parte dos rituais tântricos é considerada energia sexual.

Recebendo a Energia do Cosmos

No interior corpo humano material, o Tantra concebe um sistema complexo de canais, ou nadis, transportando energia do cosmos transcendental que flui através da coroa da cabeça.

nadis maythuna

Esse sistema é dito como corpo sutil, que irradia de volta parte de sua energia coletada para formar a ilusão auto-gerada que o corpo material experimenta como o mundo real.

(Essa radiação é considerada um desperdício e, às vezes, é descrita como um rato, sugando o Tântrico.)

Em diversos pontos ao longo do centro do corpo material, as radiações internas do corpo sutil se condensam como chakras (rodas) ou padmas (lótus).

O tantra hindu basicamente distingue os chakras na base da coluna, nos órgãos genitais, no umbigo, no coração, na garganta, entre os olhos e no topo da cabeça (existem mais em alguns sistemas de classificação).

  • O Tantra budista identifica os chakras na base da coluna vertebral, no umbigo, na garganta e na coroa da cabeça.

Cada chakra diz respeito a um estado de consciência progressivamente mais elevado.

A iluminação, sempre descrita em termos masculinos, é conquistada direcionando a energia que é enrolada na base da coluna vertebral (a kundalini feminina ou energia de serpente dos hindus ou, para os budistas, uma personificação da energia feminina, como um dakini) por meio dos distintos chakras até a coroa da cabeça.

Para os hindus, esta é a sede de Shiva, e a kundalini é uma manifestação de Shakti.

Ao despertar a serpente geralmente adormecida e fazer com que ela suba pelo corpo até a coroa, o Tântrico recria a união do deus e da deusa dentro de si.

O dualismo sexual existe no corpo sutil humano como dois canais nervosos.

 A ida (lalana budista), que é vermelha, corre ao longo da esquerda da medula espinhal e simboliza a energia criativa feminina, a lua e, por fim, o vazio e o conhecimento.

O pingala (rasana budista), cinza, corre para a direita da medula espinhal e é a energia criativa masculina, equivalente ao sol e, finalmente, à compaixão e praticidade.

Ao passo esses dois canais permanecerem distintos, o indivíduo seguirá preso no ciclo da morte e do renascimento.

Especialmente para os budistas, a combinação desses opostos dentro do corpo é vista como uma forma de cancelá-los, aproximando o indivíduo da condição de vazio.

Estimulando a Kundhalini

energia kundhalini

A energia fornecida durante as relações reais ou imaginárias com uma mulher, juntamente com as técnicas iogues de controle da respiração, estimulam a kundalini do homem, que combina com o sêmen não liberado para produzir bindu (sêmen traduzido).

O bindu, como o feto, é constituído pelos cinco elementos:

  • Terra
  • Água
  • Fogo
  • Ar
  • Éter

E sua formação no corpo representa uma forma de concepção.

O bindu qubra os dois canais sexuais e cria um novo canal central assexuado conhecido sushumna (ou avadhutika, o purificado) ao longo do qual viaja para os chakras superiores e, por fim, para o “lótus no topo da cabeça”.

Lá, unifica todos os elementos de que é constituído, bem como os distintos aspectos masculinos e femininos do praticante.

O Tântrico, portanto, utiliza o sexo ritual para alimentar uma espécie de alquimia interna, fundindo energia espiritual com sêmen material (não derramado) para unir os diversos elementos do Eu.

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