Patañjali, o Tântrico

Patañjali, o Tântrico

Uma estátua moderna representando Patañjali, em Yog Peeth, Haridwar

Patañjali, o Tântrico

O texto que é constantemente considerado o mais importante na tradição do yoga é o Yoga Sutra de Patanjali. Tal texto, escrito em algum momento entre 100 aC e 500 dC, contém aforismos expressivos no yoga clássico, chamado de ‘oito membros’ (astanga) ou ‘o melhor’ (raja) yoga.

O Yoga Sutra simboliza uma codificação de ideias e práticas de ioga, que vinha se desenvolvendo há muitos séculos.

Patanjali transmite uma definição precisa de yoga no segundo sutra: “yoga é a cessação de flutuações mentais”.

Isto é, yoga é um estado de concentração em que a mente errante, fomentada por impressões e memórias sensoriais, é controlada e feita para ser um ponto (ekagratd).

Esse controle mental ocorre por meio do desenvolvimento de oito aspectos ou membros do caminho iogue (ashtanga).

Os Oito Membros do Ashtanga

  • Ética ou restrição (yama), alcançando a não violência (ahimsa), dizendo a verdade, não roubando, celibato e não sendo ganancioso.
  • Disciplina (niyama), alcançando limpeza, serenidade, ascetismo, estudo, devoção ao Senhor.
  • Postura / assento (asana)
  • Controle da respiração (pranayama)
  • Retirada dos sentidos (pratyahara)
  • Concentração (dharana)
  • Meditação (dhyana)
  • Concentração absorvida (samadhi)
Os Oito Membros do Ashtanga

Tendo desenvolvido comportamento e disciplina ética, o iogue tranquiliza o corpo e a respiração, retirando o foco do mundo externo, enquanto uma tartaruga puxa seus membros e encolhe para dentro do seu casco, a fim de controlar a mente por meio de diversos graus de concentração ou meditação.

  • Existe uma conexão clara aqui entre consciência, respiração e corpo.

O corpo permanece parado pela postura, a respiração pelo pranayama e a mente pela concentração.

No estado de absorção concentrada ou samadhi, o yogin não está mais consciente do corpo ou do ambiente físico, entretanto sua consciência é absorvida em um estado superior, livre de ganância, raiva e ilusão.

Os estados de samadhi são rotulados por Patanjali em diversos graus de sutileza e refinamento até que o estado transcendente de ‘isolamento’ seja por fim conquistado (kaivalya).

Enquanto a experiência do samadhi que leva à libertação (kaivalya) é inefável, o kaivalya é, no entanto, consagrado dentro de uma estrutura da metafísica dualista, a saber, a metafísica da Escola de Filosofia Samkhya.

Nesta escola, existe uma distinção abrangente entre o Eu ou o observador consciente e passivo (purusa) e a matéria (prakrti).

Em sua exposição, Patanjali toma esse sistema como pano de fundo filosófico para seu pensamento.

Kaivalya, no sistema de Patanjali, é a libertação da roda da transmigração.

Porém, ao contrário dos Upanisad monísticos, a libertação aqui não é a consumação da identidade do Eu com o Todo, mas a realização da solidão e da completa transcendência do Eu.

Essa é uma condição de pura consciência na qual o Eu se desapegou por completo de seu emaranhado com a matéria.

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