Yoga sutra: o texto fundamental de Patañjali

O Yoga Sutras, obra atribuída ao sábio Patanjali, é um texto fundamental para os estudantes e praticantes de yoga.

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Composto por 196 sutras (aforismos), esse manuscrito divide-se em quatro seções principais e oferece uma visão profunda tanto da teoria quanto da prática do yoga.

A vida de Patanjali é envolta em mistério, mas sua contribuição para a filosofia e prática do yoga é indiscutível.

Acredita-se que ele tenha vivido aproximadamente 5.000 anos atrás, na transição da era védica, segundo ensinamentos de Swami Vivekananda.

Patanjali é reverenciado como um dos grandes mestres espirituais da história.

A partir do Sutra II.29, os 8 caminhos do Yoga são descritos, cada um dos quais representa um estágio no caminho que todo iogue deve seguir em direção à sua realização pessoal.

  • Samadhi Pada (sobre a concentração)
  • Sadhana Pada (sobre a prática)
  • Vibhuti Pada (sobre os poderes)
  • Kaivalya Pada (sobre a libertação)

Continue a leitura!

O que é o Yoga Sutra?

O Yoga Sutra de Patanjali, uma obra-prima atemporal que ilumina os caminhos da filosofia do yoga, abre suas páginas com o inspirador aforismo “atha yoga anushasanam”, que pode ser traduzido como “agora inicia o ensinamento do Yoga”.

A palavra inicial, atha, é um convite a nos ancorarmos no presente, que nossa jornada no yoga está ligada ao aqui e ao agora.

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Tal verso nos mostra que devemos entrelaçar a prática yogi à nossa vida cotidiana e aos relacionamentos que tecemos, em uma dança harmoniosa com o presente.

O convite é para um comprometimento genuíno com os ensinamentos, para que possamos incorporá-los de maneira viva e dinâmica em cada aspecto de nossa vida.

Assim, mesmo nos encontrando hoje no século XXI, temos a oportunidade de revitalizar e aplicar essa sabedoria milenar.

Conforme nos ensina Patanjali, o que verdadeiramente importa é darmos o passo inicial, aqui e agora, para cultivarmos uma existência repleta de presença e autoconhecimento.

Sutra, termo que em português significa “corda ou fio”, remete a uma sequência de ensinamentos preciosos, entrelaçados tal qual as pérolas de um colar.

O Yoga Sutra de Patanjali, como vimos na introdução. é composta por 196 aforismos que destilam sabedoria e resiste ao tempo como um guia poderoso para a jornada interior.

Existam debates acadêmicos acerca de sua data de composição, alguns apontando que Patanjali tenha redigido seu Sutra entre os séculos 5 e 3 a.C.

No entanto, a essência de seus versos supera as eras, ecoando tanto na mente quanto no coração humano com uma relevância surpreendente.

Esses versos, verdadeiros mapas da consciência, instruem sobre o caminho para uma existência plena e significativa, navegando pelas águas tranquilas do Yoga.

Através deles, Patanjali ilumina o trajeto para uma vida repleta de felicidade e propósito, demonstrando a sua mensagem é atemporal e universal.

Os 4 capítulos do yoga sutra

O Yoga Sūtra, que como já sabemos é um texto clássico da sabedoria milenar, é organizado em quatro capítulos repletos de conhecimentos profundos:

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Alguns versos do Yoga Sutra

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Samādhi-pādaḥ

Dedicado ao estudante que já alcançou um estágio de grande estabilidade mental, este capítulo aborda a capacidade de concentração inabalável em um único objeto, sem se ater às distrações.

Aqui, vemos a essência do yoga, as complexidades da mente, os estratos mais profundos da meditação e conceitos essenciais no yoga, como Puruśa (espírito) e Prakṛti (matéria).

Sādhana-pādaḥ

O Sādhana-pādaḥ se dirige primordialmente aos estudantes dedicados, abordando o trajeto profundo do yoga e a importância de uma prática assídua.

Este nos revela uma verdade essencial: há a possibilidade de prevenir o sofrimento que ainda não se manifestou.

Frequentemente, enfrentamos situações que desafiam nosso equilíbrio interior, provocando desconforto e dor.

É importante estarmos preparados para tais momentos.

O sinal de alerta que surge dessa perda de controle é o sofrimento — duḥkha — que devemos esforçar-nos para evitar.

Sua raiz se encontra na ignorância — avidyā —, origem de todas as aflições — kleśas.

Romper com esse ciclo vicioso é nossa meta primária.

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E o meio para alcançar tal libertação? O Yoga — upāya, uma prática que não se limita à condição física, mas que se estende para o cultivo da consciência e sabedoria.

Vibhūti-pādaḥ

Rvela os frutos verdadeiros advindos da prática do yoga, uma jornada que está além das posturas físicas.

É o estágio referente a concentração (dhāraṇā), a prática da meditação (dhyāna) e finalmente alcançar uma conexão intensa e íntima com o foco da meditação (samādhi).

Essa tríade forma um caminho de descoberta interior, onde o corpo e a mente se unem para explorar os mais elevados estados de consciência e bem-estar.

Kaivalya-pādaḥ

É uma profunda análise que coloca o yoga em diálogo com outros sistemas filosóficos clássicos da Índia, revelando seu potencial extraordinário para a transformação pessoal.

Destaca as mudanças que o yoga pode desencadear na psique do praticante, promovendo uma mente mais clara e tranquila, capaz de exercer uma influência positiva no coletivo.

Aborda a essência da realidade dos objetos que nos cercam, elucidando um ponto chave: nossa percepção de tais objetos é única e independente do observador.

Com efeito, se diversas pessoas percebem de maneira distinta um mesmo objeto, tal fenômeno ocorre pela maneira singular com que cada mente interpreta e assimila essa percepção.

O quarto e último capítulo do yoga sutra encerra com uma visão esclarecedora sobre a mente que se lança rumo a um estado de lucidez avançada, livre de condicionamentos e aflições, promovendo à iluminação do ser.

Os 8 caminhos descritos por Patanjali

Yoga sutra é um convite à jornada da prática espiritual, com um foco particular na conquista de estados profundos de meditação.

No cerne deste tratado, encotramos os caminho dos 8 passos, conhecido como Ashtanga Yoga, que oferece um guia para alcançar uma profunda compreensão sobre a essência do ser.

Yamas

Yamas são os mandamentos que os praticantes de ioga devem cumprir e seguir, a fim de entender a essência da ioga.

Eles giram em torno de como você interagie com outras pessoas e consigo mesmo. São 5 Yamas:

  • Ahimsa: está relacionado à não-violência, não matar e, em geral, não prejudicar as pessoas e os seres ao nosso redor. Isso inclui violência física e verbal.
  • Satya: refere-se à verdade, honestidade e sinceridade consigo mesmo e com outras pessoas.
  • Asteya: refere-se a não roubar e não fingir ser algo que não somos, ou seja, aceitar a nós mesmos como somos.
  • Brahmacharya: refere-se a não nos deixar levar por instintos ou impulsos, fazendo com que não desperdicemos energia e reservando-a para outras tarefas mais importantes.
  • Aparigraha: refere-se à sensação de não querer acumular ou cobiçar mais do que o necessário. Não é necessário acumular bens e riquezas excessivos para poder viver plenamente e com dignidade.

Niyama

O Niyama é outro código de conduta, mas se concentra apenas em nós mesmos, fazendo-nos eliminar o mal que abrigamos dentro de nós e modificando nossos hábitos e pensamentos para poder aproveitar o momento presente.

Dentro de Niyama, encontraremos os códigos que se referem à purificação pessoal:

  • Saucha: refere-se à transparência de uma pessoa, à sua pureza e à limpeza de todo o seu ser.
  • Santosha: ele se concentra em ser sempre feliz. Devemos manter uma atitude de satisfação com o que temos e aprender que a vida é um processo de crescimento pessoal em todos os momentos, tanto nos momentos bons quanto nos maus momentos.
  • Svadhyaya: é autoleitura e autoestudo, e isso ajuda a desenvolver a autoconsciência e a autocompreensão.
  • Ishvara Pranidhana: é a devoção e a gratidão que são mostradas ao poder superior e à mãe terra.

Asanas

Asanas são o terceiro caminho da yoga, são as posturas que são realizadas na prática de qualquer aula ou sessão de ioga.

Estas são posturas físicas que ajudam o corpo a se preparar para a meditação profunda.

As posturas ajudam a desenvolver equilíbrio muscular, flexibilidade, resistência e equilibrar a energia do corpo.

Uma postura confortável e estável será essencial para poder alcançar estados intensos de meditação por um longo período.

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Pranayamas

Pranayama refere-se ao controle da energia vital, através da consciência da respiração.

O Prana, a energia vital, flui através dos nadis, que são os canais de energia, e dos 7 principais centros de energia que atravessam nosso corpo, conhecidos Chakras

A prática dos exercícios de respiração no yoga não é uma ação mecânica.

Ela engloba um entendimento profundo da conexão entre nossa fisiologia e nossa mente, iluminando o caminho em direção a Kaivalya.

Esse conceito, essencial no yoga, representa a percepção pura da essência do Ser, um estágio de clareza e liberdade supremas.

Pratyahara

Pratyahara se concentra no isolamento dos sentidos do momento presente, afastando a mente de todas as distrações externas que podem perturbar a sua paz.

Refere-se à arte da introspecção, aquela habilidade singular de pausar nossos sentidos do mundo ao nosso redor, para mergulhar em um momento de profundo autoexame e reflexão.

Neste estágio, estamos em um ponto em que devemos usar a respiração (Pranayama), como uma ponte para acessar Pratyahara, iniciando assim a nossa jornada interior.

Dharana

Atenção direcionada. A arte de capturar e sustentar o foco em um único ponto é conhecido como dharana.

Esta capacidade é beneficiada e ampliada naturalmente através da prática dos estágios anteriores, iniciando com os princípios éticos fundamentais.

Sem estes, alcançar o estágio de concentração profunda necessária para uma mente verdadeiramente meditativa se torna um feito quase inatingível.

Dhyana

Dhyana é o estado completo de meditação e está ligado ao sexto caminho que acabamos de ver.

  • Em Dharana, a mente flui em direção a um objeto específico, mas com outros pensamentos que são intercalados.
  • Em Dhyana, a mente flui em direção a esse objeto sem que outros pensamentos apareçam.

A fase da meditação descrita por Patañjali sugere um momento em que a mente se ancora serenamente no objeto escolhido para a contemplação — seja a suavidade da própria respiração, a vibração de um mantra ou uma imagem mental.

Alcançamos então um patamar onde o esforço para manter o foco não é mais necessário, e nos encontramos imersos em um estado profundamente contemplativo.

Samadhi

O significado de Samadhi é o da absorção total, sendo um estado em que a autoconsciência é perdida, sendo considerado o objetivo da jornada e o chamado topo da montanha da consciência.

O Samadhi é o ponto de convergência das práticas de dharana (concentração) e dhyana (meditação).

Em essência, trata-se do momento em que mergulhamos profundamente na essência de nosso Ser, superando nossos pensamentos, memórias, medos e desejos que usualmente moldam nossa identidade.

Durante o Samadhi, a construção do “eu” se desintegra temporariamente, permitindo-nos vivenciar uma completa e serena presença, onde você e o infinito se encontram em harmonia.

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Conclusão

O Yoga Sutra de Patanjali não é meramente um texto a ser lido, mas um convite a uma jornada transformadora.

Cada sutra, como um fio de sabedoria ancestral, permanece resiliente, oferecendo-nos ferramentas para a construção de uma vida com mais serenidade, equilíbrio e compreensão.

Este caminho, revelado por Patanjali, nos desafia a sermos estudantes perpétuos, praticando e vivenciando os princípios do yoga no cerne de nossa existência.

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Ao nos aprofundarmos nos ensinamentos do Yoga Sutra, descobrimos que o verdadeiro conhecimento surge da experiência direta e da contemplação.

Patanjali nos convida a olhar para dentro, a reconhecer a união entre o corpo, a mente e o espírito, e a entender que a verdadeira jornada do yoga está além dos limites do tempo e do espaço, ressoando profundamente em cada um de nós.

Que possamos, então, nos inspirar neste texto milenar para viver o presente com presença, coragem e sabedoria, aplicando os seus ensinamentos de maneira prática e autêntica em nossa vida diária.

Em cada respiração e movimento, que o Yoga nos guie para além das posturas físicas, conduzindo-nos ao encontro da paz interior e da harmonia universal.

Assim, seguindo as pegadas do sábio Patanjali, trilhamos um caminho eterno de autoconhecimento e transformação, honrando o legado do Yoga Sutra e fortalecendo a conexão com a verdadeira essência do Yoga.

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